segunda-feira, agosto 02, 2004

Esta semana:

Monalisa Overdrive - Canções Estranhas para Pessoas que Respiram (2004)



Falar sobre musica alternativa hoje já virou clichê. Mas, modismos à parte, vemos boas coisas acontecendo nesse "lado b" da indústria fonográfica. Longe das grandes coorporações, livre de produtores e com total controle sobre seu trabalho, os músicos e bandas que optam por esse caminho não encontram apenas flores por onde passam. Há também espinhos.

Pouca divulgação, logo, poucos shows e consequente pouca exposição ao público: o jeito é fazer tudo isso a maneira antiga: no boca-a-boca. Sim, hoje existe a internet, mas ainda assim as coisas não são fáceis para quem quer trilhar os caminhos do mundo alternativo. E acredito que exatamente por isso as bandas têm se esforçado para apresentarem trabalhos mais criativos e elaborados do que podemos esperar.

Seguindo essa idéia, temos a banda campiniera Monalisa Overdrive. Formada em 2003, com Rudi no vocal, guitarra e viola caipira, Gustavo no baixo, Fred na guitarra e na viola de orquestra e André na bateria, o Monalisa Overdrive chega até nós com seu debut, o cd entitulado "Canções estranhas para pessoas que respiram".

A banda faz uma fusão entre o pop e a música caipira que é, no mínimo, estranha. E que desperta a curiosidade dos que não conseguem imaginar como se dá tal fusão. Como são poucos os que conseguem tal façanha, vamos ao disco.

Logo de primeira percebemos o trabalho gráfico do encarte. Veja bem, só porque se é independente não significa que o trabalho deva ser mal feito. O encarte desse cd é algo a se destacar nesse sentido. Simples, mas de muito bom gosto, já na capa encontramos uma caricatura da Monalisa. Dentro, temos as letras de todas as músicas e fotos da banda, num trabalho gráfico muito bem estruturado pelo André, o próprio baterista da banda.

A faixa que abre o disco é "Prisioneiro". Num clima meio pesado e por entre rangidos de celas, a banda começa "Andando contra o vento/De peito fechado e sempre atendo". E dessa maneira eles percorrem os mais de quarenta e cinco minutos que do disco. No mesmo clima da primeira faixa, "Não vou voltar" e "Amanheceu", sendo que essa última é iniciada por uma viola caipira que pouco depois se vê acompanhada por um baixo pesado e uma bateria numa pegada bem marcada.

Daqui para frente, merecem destaque as faixas: "Por algo mais", uma balada muito bem feita, com um refrão marcante; "Estamos Loucos" foi a primeira música do disco a ganhar um videoclip (que por sinal está disponível para download no site da banda), e não foi à toa: talvez essa seja a melhor composição da banda até então; "Alucinações" tem a levada rock n' roll, flertando com o blues; e "Coisas imperfeitas" uma vinheta que fecha o disco mostrando alguns erros de gravação, mas que quando corrigidos ouve-se a seguinte letra: "É claro que as coisas não são perfeitas/E é normal que você se perca/No deserto do desejo".

A banda, com esse primeiro trabalho, lançou-se no caminho que é seguindo por muitas outras bandas no underground brasileiro. E esse caminho é longo, por isso é bom que o Monalisa continue com o mesmo "peito fechado e sempre atento" com que inciou essa caminhada. E que mantenha a qualidade vista nesse primeiro trabalho.