domingo, setembro 12, 2004

Esta semana:

Sepultura - Chaos A.D. (1993)



De todos os discos que eu poderia colocar aqui, nenhum deles soaria tão estranho ao Maquinário quanto esse. Ou melhor, soaria violento, pesado, etc. Guitarras altamente distorcidas, baterias ensandecidas por pedais duplos. São eles - num disco velho, mas ainda eles -, o Sepultura.

Chaos A.D. nos remete aos idos anos de 1993. Há mais de dez anos atrás chegava até nós um dos discos mais importantes da carreira da banda e do metal de uma maneira geral. o Sepultura já era uma das grandes bandas do metal mundial, principalmente depois do destruidor "Arise", lançado em 1991, mesmo ano em que a banda era uma das atrações principais do Rock in Rio II e que, lamentavelmente, aconteceu o fatídico show deles em São Paulo, na praça Charles Müller, onde um fã foi assassinado. Ainda na turnê de "Arise", o Sepultura era capaz de atrair legiões de fãs aos seus shows: aquele mesmo de São Paulo teve um público de quarenta mil pessoas, enquanto na Indonésia cem mil pessoas compareceram aos dois shows feitos num estádio.

Ou seja, o Sepultura já era uma grande banda, reconhecida aqui e no exterior. E, confirmando isso, em 1993, sob a produção de Andy Wallace (Nirvana, Smashing Pumpkins), foi lançado Chaos A.D., um dos discos que merece mais destaque na história da banda. Muito além do fato de ter vendido 300 mil cópias no Brasil - não se esqueça que essa é uma banda de Metal -, ou de ter aberto a porta para o grupo se apresentar no "Mosters of Rock" e ser a primeira banda latina a tocar nesse festival, Chaos A.D. é um puta disco por si só.

Acompanhando o desenvolvimento do Sepultura através de seus discos, notamos em Chaos A.D. linhas de baterias muito mais elaboradas, não deixando o peso de lado. As guitarras também parecem mais entrosadas, além de valorizar o contraste entre guitarras base e guitarras solo, o que dá um efeito final invejável a qualquer banda de metal até então. Mas além da parte técnica da coisa, a banda inova a fórmula até certo ponto viciada do Metal: indo na contra-mão de bandas como Metallica e Slayer, o Sepultura introduz ritmos afro-brasileiros em suas músicas, valorizando a harmonia e deixando para trás a paranóia de fazer 752121212258 notas por segundo.

Nas letras, a banda também deixa um pouco de lado a temática Thash/Metal/Doom/etc e passa as explorar temas políticos. Só para citar, a música "Manifest" é sobre o massacre ocorrido em 1992 no presídio Carandirú, em São Paulo, onde 111 de detentos foram mortos; "Kaiowas", faixa instrumental dos disco, é sobre o suicídio em massa dos índios da tribo Kaiowá para protestar contra o governo; e mesmo "Polícia", música cover dos Titãs.

Fato é, Chaos A.D. foi o disco que confirmou a posição do Sepultura no Metal mundial. Exemplo para alguns, orgulho para nós, o Sepultura está aí para isso: para mostrar que não só no metal, mas na música de uma maneira geral, não há barreiras. Desconsiderando o mercado fonográfico, os preconceitos de alguns, etc, etc...