domingo, setembro 19, 2004

Esta semana:

Deep Blue Something - Home (1995)



O Deep Blue Something é conhecido como a banda de uma única música de sucesso (One-hit wonder). Isso para quem os conhece, diga-se de passagem. Formada em 1993, na cidade de Denton, texas, por Todd Pipes (voz e baixo), seu irmão Toby Pipes (guitarra e voz), Kirk Tatom (guitarra) e John Kirtland (bateria), a banda tem apenas quatro discos gravados: 11th song (1993), Home (1995), Byzantium (1998 - lançado apenas no Reino Unido e Japão) e Deep Blue Something (2001).

"Home" foi o disco que projetou a banda para um público maior, graças a famosa "Breakfast at Tiffany's". Só para esclarecer, "Breakfast at Tiffany's" é o título de um livro escrito por Truman Capote em 1958, que em 1961 virou filme com a atriz Audrey Hepburn e recebeu o título em português de "Bonequinha de luxo", isso, é claro, além de ser o título da música mais conhecida da banda em questão.

Acontece que "Home" vai muito além de "Breakfast at Tiffany's". Logo de cara encontramos "Gammer Gerten's Needle", faixa instrumental onde o timbre das guitarras é o destaque. Logo depois vem "Breakfast at Tiffany's", balada acústica que não à toa foi o hit-single da banda: a melodia gruda como chiclete e é difícil, difícil mesmo de esquecer. Na sequência, "Halo", que também abre mão de violões, mas numa menor escala do que "Breakfast", muito embora seu refrão seja tão grudento como o de sua antecessora; "Josey" é uma balada sem muitos mistérios; "A water prayer" chama a atenção graças a sua introdução, um tanto quanto pesada para os padrões do disco, e pelo backing-vocals que nos remetem às bandas dos anos oitenta, inevitavelmente; "Done" é a prova de que o disco vai muito além de "Breakfast at Tiffany's"; "Song to make love to" é outra música que nos leva de volta aos anos oitenta, ora pelos "Delays" da guitarra, ora pela melodia da voz.

Seguindo com o disco temos "The Kandinsky Prince", a menor música do disco, e a com mais pegada também; "Home" é a melhor faixa: uma balada com um potencial enorme de emocionar qualquer um, seja pelo arranjo ou pela letra, uma das mais inspiradas até aqui; "Red light" é como uma irmã de "The Kandinsky Prince", só que um pouco mais elaborada; "I can't wait" e "Wouldn't change a thing" são encarregadas pelo fim do disco, entretanto não o fazem com chave de ouro. Na verdade, seguem o ritmo mediano pelo qual o disco vem caminhando.

Uma curiosidade sobre "Home" é que o disco foi feito de maneira independente e lançado pela RainMaker. Posteriormente, a banda foi contratada pela Interscope Records, que fez algumas alterações no álbum e o lançou com o single "Breakfast at Tiffany's" em Junho de 1995, fazendo com que o single estivesse entre os mais tocados no ano de seu lançamento. Outra curiosidade é que o primeiro nome da banda foi "Leper Messiah", nome tirado da letra de "Ziggy Stardust", de David Bowie, e trocado pelo título da faixa instrumental que abre o disco "home", logo após que esta foi composta.

A banda está em algum lugar por entre os anos noventa, marcados basicamente pelo movimento grunge de Seattle. E exatamente por isso ela passa quase que imperceptível por nós: o som do Deep Blue Something está longe do de Kurt e cia. Entretanto, é um bom exemplo do que vinha acontecendo além do que estamos acostumados a saber. Após "Home" a banda lançou "Byzantium" em 1998 e "Deep Blue Something" em 2001, mas sem o mesmo efeito de seu segundo álbum.