domingo, outubro 03, 2004

Esta semana:

Silverchair - Frogstomp (1995)



Há dez anos atrás, o sonho que qualquer garoto que pegasse uma guitarra nas mãos era a) ter uma banda, e b) assinar contrato com uma gravadora e gravar seus discos. Isso em qualquer lugar do mundo, seja aqui no Brasil ou na Austrália, país de origem da banda em questão. Seja como for, esses eram os sonhos, e como todos os garotos, sempre acreditamos que as coisas mais improváveis possam acontecer. E podem ter certeza que quando Daniel Johns, Chris Joannou e Ben Gillies montaram o Silverchair com seus treze anos, eles acreditavam nessas coisas improváveis. E deu certo.

Em meio a onda grunge da década de noventa, mais precisamente no ano de 1992, nasceu uma banda chamada "the Innocent Criminals" em Newcastle, na Austrália. Nem é preciso dizer quais eram suas influências mais diretas: Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden e todas aquelas bandas de Seatlle. Em 1995, "the Innocent Criminals" mandaram uma demo para um programa de rádio chamado 2JJJ-FM, e entre mais de 800 demos enviadas para um concurso feito pela rádio, "Tomorrow" foi a escolhida. O prêmio era a gravação de um clipe e o contrato para a gravação de um CD. Improvável, não acha?

De contrato assinado, "the Innocent Criminals" acabou virando "Silverchair" (há quem diga que o nome "Silverchair" foi criado a partir de um anagrama de "Sliver", música do Nirvana, com "Berlin Chair", uma música da banda You Am I, de grande sucesso na Austrália dos anos noventa), e o single "Tomorrow", vencendor do concurso, estava constantemente entre as músicas mais tocadas na rádio. Com o segundo single, "Pure Massacre", a história não foi diferente. Por isso, em Janeiro de 1995, Frogstomp já estava entre os discos mais vendidos na Austrália, e em pouco tempo estaria conquistando também a América.

É claro que isso não foi à toa. Frogstomp é um disco cheio de guitarras pesadas, vocais ora gritados ora melódicos e tudo mais o que reza a cartilha grunge. Tais coisas levaram à comparação inevitável com Pearl Jam (seja a maneira de cantar de Daniel Johns comparada exaustivamente a de Eddie Vedder ou mesmo o clipe de "Tomorrow", comparado a "Jeremy"), Soundgarden ("Israel Son" x "Outshined") e Alice In Chains ("Suicidal Dream" x "Bleed The Freak"), mas a verdade é que Frogstomp foi composto em meio a todas essas bandas por caras de quinze anos, e dificilmente sairia diferente do que foi.

Por isso, o que vale é ouvir Frogstomp por si só. Dessa maneira encontraremos guitarras pesadas e vocais gritados à la grunge em "Israel Son", música que abre o disco e "Suicidal Dream", melodias de voz e guitarras bem estruturadas como em "Shade", ou uma levada punk em "Findaway", música que fecha o álbum. É certo que as composições de Frogstomp são ingênuas - e que a maturidade dos integrantes da banda levaram a discos mais complexos como "Diorama", o último lançado até então -, mas isso não faz do disco ruim. Muito pelo contrário, é essa sinceridade que contagia nos quase 45 minutos de Frogstomp.