domingo, outubro 10, 2004

Esta semana:

Mombojó - Nadadenovo (2003)



Eu sei, a voz até lembra um pouco Jorge Ben Jor. É verdade, aquelas batidas, o esquema da música lembra também Pedro Luiz e a Parede. Bom, na verdade mesmo, parece uma mistura de ambos, certo? Lembra também Mundo Livre S/A... Além disso, concordo com você, de primeira soa estranho, difícil de digerir, mas logo depois, ali, quase no fim do primeiro repeat, a coisa toda muda de figura.

O primeiro ponto que chama a atenção em "nadadenovo" é a massa sonora que cada música trás. Diga-se de passagem, cada música é uma peça por si só, criam seu próprio ambiente e a partir daí se desenvolvem segundo seu próprio fluxo. É uma torrente de flautas, teclados, samplers, cavacos, violões, violas, baixos e baterias, loops, e por aí vai. Poderia até ser que a mistura dessas coisas não desse um resultado lá muito bom - e muitas vezes não dá. Entretanto, no caso do Mombojó, acontece o contrário, e "nadadenovo" é intrigante, envolvente e, porque não, único.

Esse é o primeiro disco da banda. Formada em 2001 na cidade de Recife por Felipe S. (voz), Samuel (baixo), Vicente Machado (bateria), Marcelo Machado (guitarra), O Rafa (flauta), Chiquinho (teclado e sampler) e Marcelo Campello (violão, cavaquinho e escaleta), o disco "nadadenovo" conseguiu uma divulgação nacional ao ser lançado na "revista do Lobão" chamada "OutraCoisa". Mas podemos ver esse lançamento através da revista como um catalisador, pois era uma questão de tempo para que o som da banda chamasse a atenção.

Duvida? Então ouça, por exemplo, "Cabidela" e preste atenção não só nos sons por detrás da música, mas também na melodia da voz. Ou melhor, ouça também "O céu, o sol e o mar", "Adelaide", "Duas cores"... Enfim, ouça o disco inteiro. Uma dica: no site da banda tem o disco todo em mp3, então, não há desculpa para ouvir pelo menos uma das quinze faixas que compõe o disco. Mas quem avisa, amigo é: ouvir uma faixa só é perder um dos melhores discos desse ano.

De uma maneira geral, podemos encontrar no som do Mombojó climas muito particulares, letras que se fazem simples aos nossos ouvidos, mas que guardam "n" interpretações possíveis, experimentalismo latente e psicodelia gritante. "Nadadenovo" é isso. E mais um monte de coisa.