quarta-feira, outubro 06, 2004

Extra:

Kurt & Courtney - Documentário (1998 - DVD)



Grande parte daqueles fãs incondicionais do Nirvana não gosta da Courtney Love. E mesmo quem não é fã do Nirvana tem lá suas restrições para com a ex-vocalista do Hole. Ok, muita gente também não gostava da Yoko Ono, e isso é uma questão de opinião, simpatia, e mais um monte de coisas pessoais. Logo, não entrarei nesse mérito. Entretanto, fica claro no documentário "Kurt & Courtney" que o diretor Nick Broomfield não vai muito com a cara da ex-esposa do vocalista do Nirvana (muito embora esse não seja o assunto principal desse vídeo).

O documentário em si não vale a pena. Longe de chegar a alguma conclusão, Nick Broomfield se limita a superficialidade da morte de Kurt Cobain. Como já é de conhecimento de todos, Kurt se matou em 4 de Abril de 1994, e seu corpo foi encontrado por um eletricista no dia 8, quando iria fazer alguns reparos na casa. Até aqui, tudo bem, afinal, como dizem alguns, Kurt era um cara extremamente depressivo, e, além disso, tanto sua criatividade quanto seu casamento já davam sinais de cansaço. Situação propícia para um sujeito como Kurt dar um tiro na cabeça.

Muito embora existam esses fatos, há pessoas que não acreditam que a história tenha sido bem assim. Movidos, talvez, pela antipatia para com Courtney, ou pela não aceitação de que mesmo um cara com a genialidade de Kurt poderia cometer um burrada como essa, alguns acreditam que o que aconteceu no dia 4 não foi um suicídio, mas um assassinato. Pegando o embalo desses, o documentário "Kurt & Courtney" tenta encontrar alguns indícios de que essa teoria de conspiração seja verídica e, de quebra, encontrar ligações com Courtney. Para tal empreitada, Nick Broomfield vai até Abeerdem, cidade onde Kurt nasceu, para tentar reconstruir a trajetória do músico, desde sua infância um tanto quanto conturbada até seus dias de fama, dinheiro e heroína.

Talvez esse seja o melhor ponto do documentário: trazer a realidade de onde Kurt cresceu e viveu. Algumas entrevistas com pessoas que fizeram parte do começo da vida do música também são bons indícios de que toda aquela angústia nas músicas do Nirvana são reais. Por exemplo, a entrevista com Mary, tia de Kurt. Era na casa dela que Kurt fez suas primeiras gravações, e fico claro a ligação que ela tinha com ele, seja na maneira pela qual fala do sobrinho ou pela emoção aparente quando mostra fitas gravadas por Kurt com três anos de idade. Há também uma entrevista com Tracy Marander, namorada de Kurt que morou com ele por algum tempo, no qual vemos o lado artista plástico do músico, além de dar um bom panorama de como era a realidade de Kurt quando o Nirvana foi montado.

Outras entrevistas foram feitas para o vídeo: Tom Grant, detetive particular contratado por Courtney quando Kurt fugiu do Centro de Recuperação Exodus, em Marina Del Rey, clinica de reabilitação onde ele estava internado; El Duce, vocalista da banda The Mentors, que teria recebido uma proposta para matar Kurt, mas negou acreditando ser uma piada; Dylan Carlsson, amigo de Kurt, monossilábico, confuso e distraído; Hank Harrison, pai de Courtney e inimigo número um da própria: pouco pode ser aproveitado dessas entrevistas, que parecem terem sido feitas apenas com o intuito de confirmar o assassinato de Kurt e o envolvimento de Courtney no caso. E, além disso, não é feita uma só entrevista com pessoas que possivelmente mostrariam o lado da Sra. Cobain, fazendo do documentário algo completamente parcial.

Mas é claro que Courtney Love não é flor que se cheire. A mesma não liberou as músicas do Nirvana para o documentário, assim como tentou não deixar que o projeto fosse concluído. Numa carta enviada à produção, um advogado da mesma diz o seguinte: "Ms. Love currently has no dispute of any sort with you, and does not want one. However, if you display Mr. Broomfield's film, or offer a forum for Mr. Broomfield or Mr. Harrison to speak, then under California law you are equally liable with them for the damage caused by any false and malicious statements about Ms. Love, as though you and the Roxie had made the defamatory statements directly. It does not matter whether you claim to take a position of "neutrality." By choosing to display the film or provide a forum for them to speak, you are endorsing and participating in their actions and statements, and are liable along with them for any resulting damage".

E não, o documentário não foi concluído, assim como a busca de Nick Broomfield para encontrar a verdade no que diz respeito a morte de Kurt Cobain. Ou seja, de uma maneira geral, "Kurt & Courtney" não contribui em nada o debate acerca do assunto, apenas joga mais lenha na fogueira. Entretanto, para quem quiser ler mais sobre o assunto, existe uma pancada de livros, inclusive "Kurt Cobain, Beyond Nirvana: The Legacy of Kurt Cobain", escrito pelo pai de Courtney, que foi base para esse documentário, além dos sites: In defense of Kurt Cobain, The Smoking Gun, Justice for Kurt Cobain. Agora, se você gosta mesmo do Nirvana, vai ouvir o "In Utero" que você ganha mais.