domingo, novembro 07, 2004

Esta semana:

Mutantes e Bizarros - Louco pelo brilho do metal (2004)



Ouvir ao primeiro CD da banda Mutantes e Bizarros é se deparar não só como o rock'n roll ou o blues, mas como uma mistura do velho com o novo. Difícil imaginar um gênero como o rock'n roll misturado a elementos mais novos - talvez até soe como uma idéia de um alquimista da música procurando novas misturas, etc -, mas não impossível. E verdade seja dita, é complicado acreditar que isso possa dar certo. Não duvidando da capacidade dessa ou de qualquer outra banda, mas sim de imaginar o rock como um elemento capaz de se misturar. Principalmente ao novo.

Acontece que foi exatamente dessa mistura que nasceu "Louco pelo brilho do metal", o primeiro disco do Mutantes e Bizarros, lançado em setembro desse ano. A primeira coisa que nos chama a atenção ao ouvir o disco é que a influência mais clara da banda é o rock setentista. Inegável nos riffs, nas cadências, na temática das letras, no estilo da banda. Dessa escola há "Cara normal", música que abre o disco, "Essa noite eu vou dar problema", "Mutantes e bizarros", "Funk de uma nota só" e "Quero briga", ficando claro nessas duas últimas a influência mais do que escancarada de Jimi Hendrix.

Entretanto, pouco depois da metade do disco uma pulga pula atrás da orelha: Sim, aquilo é rock'n roll, mas tem alguma coisa estranha ali. Pois é, essa coisa estranha é exatamente a mistura do novo com o velho a qual me referi no primeiro parágrafo. O rock'n roll, digamos, clássico, parecia até então resistente a misturas, seguindo padrões rígidos e uma cartilha sem muitas exceções. Entretanto, os Mutantes e Bizarros conseguiram executar essa mistura de tal maneira que soa estranho porque soa bem.

A melhor explicação que eu poderia dar à proposição de "soa estranho porque soa bem" seria indicar a faixa "No escuro", onde essa mistura fica mais clara. Todavia, se ouvirmos com cuidado todo o disco, perceberemos que há elementos novos na velha fórmula rock'n roll em cada faixa. São detalhes, é verdade, mas caso eles não estivessem ali teríamos no rádio apenas mais um disco de rock como tantos outros que passam por nossos rádios.

Uma coisa é fato, se você gostar do "bom e velho rock'n roll", tiver pelo menos dois discos do Marcelo Nova, e estiver aberto a novidades, não vejo motivos para você não ter esse CD em casa. E mesmo que você não se enquadre em nada do que disse, não há razão alguma para não conhecer o trabalho do Mutantes e Bizarros. Só um adiantamento, a banda é formada por Flávio Marcondes (guitarra e vocal), Paulo Bressan (baixo e backing vocal) e Daniel Bergatin (bateria). Para saber mais é só clicar aqui. E pare de perder tempo.