domingo, novembro 21, 2004

Esta semana:

Silverchair - Freak Show (1997)



A síndrome do segundo disco é mundialmente conhecida. E, principalmente, inevitável, pois mesmo os hoje grandes um dia passaram por ela - um pensamento óbvio, por isso verdadeiro. As conseqüências são bem claras: a) ou o segundo disco é tão bom quanto ou melhor do que o primeiro, ou b) o segundo disco é pior do que o primeiro e aí a coisa fica difícil, ou c) a coisa continua na mesma, sem grandes mudanças. No caso de Freak Show, segundo disco do Silverchair, podemos enquadrá-lo no caso "a". Ou melhor, se aproxima mais do item "a", mas tem também um pé no "c".

Como já escrito aqui no Maquinário, Frogstomp - o primeiro disco da banda - nasceu em meio a efervescência grunge, logo, foi, até certo ponto, bem aceito pelo público. Acontece que quando Freak Show foi lançado o grunge já dava sinais de cansaço, e as bandas de Seatlle davam espaço ao novo mercado fonográfico das "boybands". Então, partindo aí, a aceitação de Freak Show não seria facilitada pelo momento em que estava sendo lançado. Tarefa difícil para uma banda que lançou seu primeiro disco com integrantes numa média de idade de quinze anos, vencedora de um concurso feito por uma rádio.

Acontece que mesmo com esses possíveis empecilhos, em fevereiro de 1997 chegou Freak Show, e a prova do segundo disco foi completada pelo Silverchair com louvor. Freak Show mantêm o peso de Frogstomp, mas vai mais além. Melodias mais complexas, arranjos idem, e aquela ingenuidade vista como parte integrante de Frogstomp dá lugar a um experimentalismo que em nenhum momento foi possível prever para uma banda como o Silverchair de 1995.

Logo de começo encontramos as músicas "Slave" e "Freak" provando que o peso de Frogstomp ainda faz parte do som da banda, mas com um refinamento maior; seguindo o peso dessas, temos a nirvanística "Lie to me", "Roses" e "The closing". Entretanto, há músicas com uma levada mais pop como "Abuse me" - primeiro single do disco -,"No association", "The door", "Pop song for us rejects" e "Nobody came", além das baladas "Cemetery" e "Petrol & Chlorine", ambas muito bem elaboradas, provando aqui que a ingenuidade musical de Frogstomp agora dá lugar a novas caminhos na composição da banda.

É claro, todas aquelas influências do primeiro disco ainda estão nesse: Nirvana ("Lie to me"), Helmet ("Slave"), Smashing Pumpkins ("Cemetery"), mas agora a coisa começa a mudar de figura. É a partir de Freak Show que o Silverchair começa a definir seu som de maneira original. E já aqui, no segundo disco da banda, temos uma boa amostra daquele que seria um dos melhores vocalistas do fim da década de noventa. Além disso, é aqui que começa a metamorfose pela qual passou o Silverchair, quer gostem, quer não.