domingo, janeiro 02, 2005

Esta semana:

Fluid - Mama hates (2004)



O Fluid já passou aqui pelo Maquinário com o seu primeiro CD, "Songs from my apartament", lançado em julho de 2003. E agora eles estão de volta como um novo trabalho, o EP "Mama hates", lançado em julho de 2004.

A principal diferença entre "Mama hates" e "Songs..." está na gravação. Como escrito anteriormente, "Songs..." foi gravado de maneira caseira, na limitação de um computador e uma mesa de quatro canais, enquanto "Mama hates" teve uma produção mais profissional, gravado no estúdio Síncopa (Campinas), com todos os cuidados e detalhes que um estúdio pode proporcionar. Neste novo EP constam quatro canções que já estavam na primeira demo ("Mama hates", "Sex is blind" e "You're sweet" e "Stay"), e duas novas ("Time out" e "Remote control"), que mostram uma faceta até então desconhecida da banda.

De primeira, notamos que as músicas já conhecidas ganharam o peso que precisavam. A qualidade da gravação faz diferença quando comparamos, por exemplo, as duas versões "Stay": já em “Songs...” percebemos que a força da música está no refrão. Entretanto, apenas neste novo trabalho as guitarras ganharam a sustância que uma gravação caseira jamais poderia dar, transformando a música de tal maneira que só ouvindo para entender o nível desta alteração. No que diz respeito as faixas novas, a característica mais marcante é, sem dúvida, os detalhes. E não apenas no que diz respeito a composição, mas também na inserção de novos instrumentos - como vemos em "Remote control", onde o peso das guitarras agora abre espaço também para teclados -, que além de enriquecerem as canções, abrem um amplo horizonte de possibilidades à banda.

Para falar mais sobre o EP e a banda, o Maquinário entrevistou Pelle, vocalista e guitarrista do Fluid.

Maquinário: Ao ouvir o Ep "Mama hates" e o comparando com "Songs from my apartament" fica claro que a produção em estúdio fez uma grande (e boa) diferença nas músicas. E para a banda, como foi a experiência de entrar em estúdio?
Pelle: Entramos em estúdio num momento meio conturbado, pois, poucos dias antes, os antigos guitarrista e baixista saíram da banda (hoje estamos com o Dinho no baixo e o Juninho na guitarra). Daí fomos apenas eu e o Dú (baterista) para o estúdio e lá contamos com a força da galera do Sincopa que ajudou bastante na finalização do EP. Mas, tirando esse contratempo, foi muito bom entrar em estúdio porque deu para colocar no cd aquilo que é mais a cara da banda. Em casa, devido aos recursos precários, às vezes a gente não consegue colocar toda a força e detalhes dos arranjos como efetivamente gostaríamos.

M: Não só nos shows, mas também através da demo, percebemos que o Fluid possui várias composição próprias. Como foram escolhidas as faixas que entrariam no novo EP?
Pelle: Pegamos as músicas da primeira demo que tinham mais a cara da banda e que, para nós, estavam “finalizadas” (no sentido de haver menos chance de aparecerem futuras modificações nos arranjos etc). Mas não queríamos apenas repetir músicas anteriores. Tínhamos que colocar algo novo pra quem já tinha o ‘Songs...’. Tínhamos algumas músicas novas e resolvemos pegar “Remote Control” e “Time out”, porque, apesar de não estarem na outra demo, a gente já tocava essas músicas fazia algum tempo.

M: Sobre as músicas novas. Elas, se comparadas ao restante do CD ou mesmo ao "Songs...", são mais trabalhadas, mostrando um outro lado da banda onde melodias são bem valorizadas e os arranjos mais complexos. Isso demonstra um amadurecimento ou apenas a exposição de um outro lado da banda que não conhecíamos?
Pelle: Acho que um pouco dos dois, mas eu diria que é mais um outro lado da banda que não tinha aparecido na primeira demo (talvez até, como eu disse antes, por causa dos recursos precários). Gostamos de ter no repertório essa variação de músicas mais diretas e cruas com algo mais complexo, principalmente em termos de arranjos e melodias.

M: Os projetos futuros tendem a seguir esse caminho mais trabalhado ou vocês manterão o lado mais pesado como vemos em "Stay", por exemplo?
Pelle: Como eu disse antes, gostamos dessa variedade. Achamos que ela funciona bem nas apresentações ao vivo. Como intenção, não tenho muita vontade de fazer músicas com mais de 5:00 min, como é o caso de “Remote Control”, apesar de eu achar, é verdade, que isso não depende exatamente de querer ou não (às vezes a música acaba necessitando de um tempo de duração maior para fazer sentido), mas certamente não ficaremos só no lado cru da banda.

M: Há também o contrato com uma produtora norte-americana. Em relação a eles, quais são os planos futuros da banda?
Pelle: Cara, as expectativas são excelentes! Os planos são de no ano que vem nós passarmos 5 meses nos EUA tocando na costa leste (3 meses) e depois na oeste (2 meses). Tem previsão de lançamento de single (Mama Hates) em Janeiro; de Maxi-Single (que é esse EP com 6 músicas intitulado ´Mama Hates´) em Fevereiro; de lançamento do cd (provavelmente com 12 músicas) em Março; dando início a tour em abril de 2005. No papel, tá lindo...!!! Mas eu tenho que ver pra crer... vamos esperar.

M: E os planos da banda?
Pelle: Estamos tentando fazer nossa parte por aqui pelo Brasil também, lógico. Gravamos um demo-clipe para ‘Mama Hates’ que deve ficar pronto até o final desse mês (Novembro de 2004). Temos nosso cd que está com uma qualidade (acho eu) legal. Nosso site (http://www.fluidband.com.br/) está no ar (apesar de ainda estar meio porco rs!) e já está sendo melhorado, devendo ficar muito interessante. O difícil mesmo é tocar por aqui. Isso é impressionante! Tem panela pra tudo que é lado, rapá!! Então, mesmo fazendo um trabalho bacana, se você não conhece fulano, não rola! Se o tal fulano não vai muita com a sua cara então...(na maioria das vezes sem nem te conhecer ou sequer ter escutado sem som...)! Daí fode de vez! rsrs! Mas, dentro das nossas condições, que são sempre totalmente guerrilheiras (como foi o agendamento de todos os lugares que já tocamos, a gravação do cd, do clip etc), temos tocado em alguns lugares por aí e temos conseguido distribuir bastante cds. A galera tem gostado e isso é bem legal de se ver. Tem um pessoal da Bahia (galera dos Honkers) que nós estamos bem ligados e talvez apareça alguma coisa prá nós tocarmos fora de SP. No fim das contas, parece que vai ser mais fácil tocar nos EUA ou em outros estados no Brasil do que em SP... rs! Vamos em frente.